Coisas Sublimes

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Coisas Sublimes

Mensagem  Admin em Qua Dez 12, 2007 7:28 am

No princípio eram trevas, escuridão, solidão. Aos poucos a evolução vem chegando, passo a passo, que a natureza não dá saltos.

No coração da terra nossos ancestrais deixaram impressas mensagens pictográficas excepcionais (na Serra da Capivara, sítio arqueológico mais antigo das Américas, há um lindo exemplo disso). Registraram também as dificuldades de um tempo incrivelmente difícil, durante o qual a média de vida sequer chegava aos trinta anos pelas estimativas cientificamente aceitas nos dias que correm. Tudo isso faz pensar no dia em que nos encontraremos com o nosso Criador em espírito e nosso corpo repousará também no ventre da Terra como tantos outros antes de nós – pessoalmente prefiro a cremação, mas naturalmente respeito todas as maneiras de se trabalhar o momento de transição, dentro de cada cultura à sua maneira.

Sabedores de que somos finitos refletimos acerca do que seja certo e do que seja errado, do ponto de vista moral, segundo os caminhos de Deus e da Natureza.

Lembra-se da lenda de Ícaro? Este eterno sonho do homem voar, o primeiro que aprendemos na FAB... Dédalo construiu o labirinto da ilha de Creta para que o rei Minos nela enclausurasse o Minotauro. Preso no labirinto com seu filho Ícaro, o engenhoso arquiteto Dédalo confeccionou asas a partir de penas coladas com cera avisando a seu filho sobre a importância da moderação: “Não voes muito baixo para que as águas do mar não venham a tragar-te. Tampouco voes muito alto, para que o calor do sol não venha a derreter a cera que liga as penas que compõem tuas asas.” Dédalo seguiu o caminho do meio e chegou a salvo em terra firme. Ícaro, embriagado com as delícias do vôo, provou o amargo sabor da derrota quando, ao voar alto demais viu as penas serem descoladas uma a uma das asas que seu pai lhe dera e foi arrojado ao mar...

Tolo Ícaro... Assim como o recém nascido confia cegamente nos cuidados do amor de seus pais, deveria ele ter ouvido aqueles sábios conselhos. No casamento temos um outro exemplo, quando uma pessoa afirma aceitar a outra deve ligar-se com confiança e amor, como se ao eixo de uma roda e não ao seu aro que, ora está lá em cima, ora está lá em baixo. Por isso se diz: na saúde e na doença, na tristeza e na alegria, na pobreza ou na riqueza... “Você é minha bem-aventurança”, não as exterioridades que sequer me importa ver!

O vento, ar em movimento, em muito auxiliou na viagem de Dédalo. Ícaro, infelizmente, embriagado pelo prazer de uma nova (a)ventura, não foi capaz de dominar este elemento antes deixando-se por ele dominar.

Ícaro caiu na água que, para ele, não foi fonte de Vida, como propugna a campanha deste ano da CNBB. Na Índia as águas do Rio Ganges são consideradas sagradas, no Egito antigo, assim o era com o Nilo. Nas águas do Rio Jordão – então sagrado para os judeus – João Batista (que alguns dizem ser Elias) batizou o Filho de Deus. Certa feita assisti a uma cerimônia de batismo numa Igreja Evangélica, Batista. O simbolismo deles é muito bonito: as pessoas são imersas na água como que “morrendo para a vida antiga e ressuscitando para uma nova vida”, de tal forma que possam repetir, como São Paulo: “Vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim!”

Cristo, aliás, certa feita disse: “João Batista vos batizou com água. Eu vos batizarei com Fogo!” Feita total limpeza no organismo mortal está pronto o homem novo para receber os novos ensinamentos e os difundir da mesma maneira que os recebeu.

Nos tempos antigos, entendia-se que era necessário o sacrifício de ovelhas sem mácula ou animais similares para purgar-se de pecados diante de Deus. Depois do grande Sacrifício de Cristo na Cruz, o Cordeiro de Deus, sem mácula, que derramou voluntariamente o seu sangue por nós, tudo mudou. Cumpre-nos, dentro de nossa Fé, prestar a devida profissão de fé e estamos purificados. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Somos irmãos (Salmo 132 na bíblia católica; 133 na bíblia evangélica).

No início a Fé cristã era uma só. Que bom seria que assim o fosse até os dias de hoje... Mas vieram os “cismas”. Primeiro, por um desentendimento consideravelmente banal, entre o Patriarca de Roma e o Patriarca de Constantinopla no século XI – vejo no horizonte possível muitas chances de uma reunificação entre as Igrejas Católicas Apostólicas Romana e Ortodoxa – durante o renascimento, com o germe do capitalismo a surgir, veio o cisma protestante. Intolerância de parte a parte, falta de diálogo e aceitação do outro... Nos diversos momentos históricos vemos surgir novas correntes cristãs, algumas reconhecidas pelo Vaticano (que ainda congrega o maior número de Cristãos do planeta), outras não. Conto-me entre aqueles que ainda crêem numa unificação de todos os cristãos, que como tal se reconhecerão uns aos outros.

Após o período normal de gestação do ser humano, os nove meses regulamentares ou um pouco menos dependendo das circunstâncias, pela primeira vez ele vê a Luz. A ansiedade e a interdependência recíproca entre mãe e filho é tamanha que aquela, ainda que sofrendo as dores do parto, faz questão de ver seu filhinho e ele tem sua primeira alegria ao ver aquelas pessoas felizes ao redor. Felizes porque recebem uma Nova Vida e esta felicidade contagia o recém-nascido, também feliz por ver-se assim tão bem recebido no mundo. A maioria de nós não se lembra daquele momento, mas como deve ser sublime ver rostos amigos envoltos em tanta Luz após tanto tempo de escuridão... O recém nascido deixa a vida de um ser aquático, vivente na escuridão do ventre materno a flutuar no líquido amniótico e transforma-se num novo ser, um mamífero pleno que respira pelas narinas e se alimenta pela boca. A evolução segue o seu caminho e ele aos poucos vai aprendendo a sorrir, a falar, a dar seus primeiros passos, etc. Mas este é assunto para outro momento...


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